A Sé
Velha de Coimbra é o um dos edifícios em estilo românico mais
importantes de Portugal. A construção da Sé começou em algum
momento depois da Batalha de Ourique (1139), quando Afonso
Henriques se declarou rei de Portugal e escolheu Coimbra como
capital do reino. Na Sé está sepultado D. Sesnando, Conde de
Coimbra.
Coimbra (a Aeminium da época romana) é sede episcopal desde o
século V, sucedendo a vizinha Conímbriga, invadida pelos Suevos em
468. Apesar da longa história, não há notícias precisas sobre a
catedral de Coimbra desde a época germânica até a construção da Sé
Velha. Em 1139, após a decisiva Batalha de Ourique, Afonso
Henriques decide financiar a construção de uma nova catedral,
provavelmente devido à anterior estar muito deteriorada. As obras
devem ter começado em tempos do bispo Bernardo (m. 1146), mas o
impulso definitivo foi dado em 1162 com o bispo D. Miguel Salomão,
que ajudou a financiar a construção da catedral. Em 1182 as obras
estavam adiantadas o suficiente para que o bispo Bernudos, sucessor
de Miguel Salomão, fosse enterrado na nova Sé e, em 1185, foi
coroado ali o segundo rei de Portugal, D. Sancho I. Os trabalhos
principais terão terminado no início do século XIII, com as obras
do claustro começando por volta de 1218, durante o reinado de D.
Afonso II.
A Sé Velha de Coimbra é a única das catedrais portuguesas românicas
da época da Reconquista a ter sobrevivido relativamente intacta até
os nossos dias. A Sé Velha e, em menor grau, as Igrejas de Santiago
e São Salvador, são expoentes da fase alfonsina do românico
coimbrão. Outras igrejas da cidade como a do Mosteiro de Santa Cruz
e a de São João de Almedina foram muito alteradas e perderam seu
carácter românico.
Vista do exterior, a Sé Velha lembra um pequeno castelo, com muros
altos coroados de ameias e com poucas e estreitas janelas. A
aparência de fortaleza é comum às catedrais da época e explica-se
pelo clima bélico da Reconquista. A fachada oeste (principal) tem
uma espécie de torre central avançada com um portal de múltiplas
arquivoltas e um janelão parecido ao portal. Os capitéis,
arquivoltas e jambas do portal e do janelão são abundantemente
decorados com motivos românicos com influências árabes e
pré-românicas. A fachada é reforçada nos cantos por contrafortes
que ajudam a compensar a forte inclinação do terreno. A fachada
norte tem dois portais de estilo renascentista, sendo notável a
Porta Especiosa, um pórtico de três andares, tipo retábulo,
construído na década de 1530 por João de Ruão. Esse portal é uma
das principais obras do primeiro renascimento em Portugal. Do lado
este observa-se a ábside principal românica e os dois absidíolos,
sendo que o do lado sul foi modificado em estilo renascentista.
Sobre o transepto há uma torre-lanterna quadrangular românica com
algumas alteraçoes no século XVIII.
O interior é de três naves e cinco tramos, com o transepto pouco
desenvolvido, sendo a cebeceira formada por abside e dois
absidíolos. A cobertura é feita por abóbada de canhão na nave
central e transepto, e por abóbada de aresta nas naves laterais. A
nave principal tem um elegante trifório (galeria com arcadas) no
segundo piso. Todas as colunas do interior tem capitéis decorados
com temas geométricos, vegetalistas ou animalistas. As janelas da
torre-lanterna do cruzeiro e o janelão da fachada principal são as
principais fontes de luz natural da Sé.
(Mê
Alabastro)
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